MORRE SEVERINO VICENTE: UM MONUMENTO DO RIO GRANDE DO NORTE...

 


Hoje foi um dia muito difícil para todos, tendo em vista a perda irreparável do amigo pessoal e folclorista, professor Severino Vicente. No livro de assinaturas da Casa de Velórios São José escrevi apenas: "Quem continuará?". Foi o que veio na mente naquele momento de profunda consternação. 

Sei que não se engessa a cultura popular, a qual é muito dinâmica e mutante, mas penso nesses grandes monumentos que estão indo embora. Tanto os estudiosos do Folclore quanto os mestres e brincantes. Professor Severino Vicente foi um baluarte na salvaguarda do folclore do Rio Grande do Norte.

Não acreditei quando vi aquele monumento num caixão. Quanta sabedoria viraria cinza! Uma biblioteca foi sepultada hoje. É certo que Severino não é gigante apenas por isso, afinal foi excelente amigo, querido por todos, excelente pai, esposo e avô. Um homem de caráter. Pessoa admirável. Sua filha fez uma linda homenagem.

Estive na Casa de Velório e Cremação São José, onde houve a celebração da missa de encomendação seguida de uma homenagem feita por um grupo folclórico, cujos atores dançaram lhe reverenciaram junto ao ataúde.  Logo após se deu a cemimônia de cremação. 

Homenagem Póstuma a Severino Vicente (1948–2026)

Com imensa tristeza, a cultura popular potiguar e brasileira despede-se do professor, historiador, escritor e folclorista Severino Vicente, que faleceu no dia 11 de fevereiro de 2026, aos 77 anos, após uma longa batalha contra o câncer. Sua partida representa uma perda profunda e irreparável para o estudo, a preservação e a valorização do folclore no Rio Grande do Norte e em todo o país.

Nascido em 1948, Severino Vicente dedicou sua vida à pesquisa, à difusão e à defesa das tradições populares nordestinas. Embora os registros públicos não detalhem amplamente sua data e local exatos de nascimento, sua trajetória intelectual e cultural confunde-se com a própria história da valorização do folclore potiguar nas últimas décadas.

Homem de vasta erudição e sensibilidade, exerceu papel de grande relevância institucional ao presidir a Comissão Nacional de Folclore, instância fundamental na articulação dos estudos e das políticas voltadas às manifestações culturais populares em âmbito nacional. Também esteve à frente da Comissão Norte-Rio-Grandense de Folclore, entidade histórica dedicada à salvaguarda, pesquisa e promoção do folclore potiguar. Nessas funções, consolidou-se como o maior estudioso do Folclore do Rio Grande do Norte, referência incontornável para pesquisadores, mestres da cultura popular e instituições culturais.

Autor de três livros dedicados ao estudo das tradições populares, Severino investigou com profundidade as raízes históricas, simbólicas e sociais das manifestações culturais nordestinas. Sua obra abordou, inclusive, as influências europeias reinterpretadas no contexto regional, revelando como o povo potiguar recriou e ressignificou heranças culturais ao longo dos séculos. Para ele, o folclore nunca foi mero espetáculo: era memória viva, identidade coletiva e patrimônio imaterial que precisava ser compreendido, respeitado e transmitido.

Severino Vicente deixa sua esposa, Zeneide, além de filhos, netos e bisnetos, que hoje guardam não apenas a saudade, mas o orgulho de sua trajetória exemplar. À família, unem-se incontáveis amigos, colegas e discípulos que encontraram nele um mestre generoso, sempre disposto a compartilhar saberes e incentivar novas pesquisas.

Sua morte provoca um prejuízo incalculável à Cultura Popular do Rio Grande do Norte. Perdemos um guardião da memória, um intelectual comprometido com as raízes do povo, um articulador incansável de políticas culturais e um defensor firme das tradições populares. Em um tempo em que a preservação do patrimônio imaterial exige vigilância e dedicação, a ausência de Severino deixa uma lacuna difícil de preencher.

Permita-me acrescentar, neste momento de despedida, meu pesar pessoal. Foram mais de 30 anos de amizade, convivência e admiração. Compartilhamos inúmeros eventos folclóricos pelo Rio Grande do Norte, seminários, encontros, debates, festivais e celebrações da cultura popular. Caminhamos lado a lado na defesa das tradições potiguares, aprendendo e ensinando juntos. Sua presença era sempre marcada pela firmeza intelectual, pela elegância no trato e pelo amor incondicional ao folclore.

Hoje, despeço-me não apenas de um grande pesquisador, mas de um amigo leal e inspirador. Seu legado permanecerá vivo nas páginas que escreveu, nas instituições que fortaleceu e, sobretudo, nas manifestações culturais que ajudou a preservar. Severino Vicente parte, mas sua obra e seu exemplo continuam iluminando o caminho daqueles que acreditam que a cultura popular é a alma de um povo.







































































































































































































































































































































































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