ISMAEL DUMANGUE: “A MÚSICA QUE FAÇO NASCE DA MEMÓRIA E DO SENTIMENTO”


Cantor, compositor, poeta e cordelista, Ismael Dumangue é um dos nomes mais autênticos da música autoral potiguar. Natural de São José de Mipibu, mas radicado em Parnamirim desde 1983, cidade onde consolidou grande parte de sua trajetória artística e cultural, o artista construiu uma obra marcada pela poesia, pela valorização das raízes nordestinas e pela recusa em transformar sua arte em produto descartável. Ao longo de mais de quatro décadas vivendo na “Terra de Manoel Machado”, Ismael tornou-se também uma referência cultural parnamirinense, mantendo viva uma produção musical profundamente ligada à memória, à sensibilidade poética e à identidade nordestina. Em conversa ao BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA, Ismael fala sobre infância, memória, religiosidade, literatura de cordel, influências musicais e o compromisso de produzir uma obra que permaneça viva no tempo.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Ismael, sua trajetória artística nasce muito ligada à memória e às origens. Que lembranças da infância em São José de Mipibu ainda permanecem mais fortes em você?


ISMAEL DUMANGUE: Permanecem muitas coisas. A rua, os engenhos, as brincadeiras de infância, as radiolas, os parques, o som das músicas chegando pelas janelas das casas… Tudo isso ficou muito vivo dentro de mim. Eu costumo dizer que minha música nasce justamente desse universo de lembranças. A infância no interior deixa marcas profundas. O rádio teve uma importância enorme na minha formação. Eu ouvia de tudo: hinos religiosos, música sertaneja, Roberto Carlos, canções românticas. Aquilo foi formando minha sensibilidade sem que eu percebesse.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Sua história de vida também é marcada pela descoberta da adoção. De alguma forma, isso influenciou sua arte?


ISMAEL DUMANGUE: Influenciou muito. Quando a gente descobre certas coisas sobre a própria origem, passa a olhar para a vida de outra maneira. Acho que isso aprofundou em mim uma necessidade maior de pertencimento, de entender as raízes, de compreender os afetos. Minha música fala muito sobre memória, identidade, reencontro, saudade… Talvez venha justamente daí. A arte, muitas vezes, acaba sendo uma maneira de organizar emoções.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Você costuma citar influências muito diversas, que vão desde os hinos da igreja até Belchior e Alceu Valença. Como essas referências convivem dentro da sua música?


ISMAEL DUMANGUE: Convivem naturalmente. A música que escutei na infância nunca saiu de mim. Os hinos da igreja têm uma dramaticidade muito forte, uma intensidade emocional muito grande. Depois vieram Belchior, Fagner, Alceu Valença, que me mostraram uma música mais poética, mais elaborada. Mas tudo isso foi se somando. Nunca tive preocupação em seguir uma linha fechada. Minha música é resultado das experiências que vivi e das sonoridades que me tocaram ao longo da vida.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Em suas composições existe uma preocupação muito forte com a palavra. Isso vem da convivência com o cordel e a poesia popular?


ISMAEL DUMANGUE: Sem dúvida. Quando comecei a estudar mais profundamente a literatura de cordel e as estruturas dos repentistas, passei a compreender melhor o peso da métrica, da rima, do ritmo interno dos versos. O cordel ensina disciplina poética. Ensina que a palavra precisa soar bem, carregar musicalidade. Tenho muito cuidado com isso. Gosto de lapidar a letra, procurar a frase certa, encontrar o encaixe exato entre palavra e melodia.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Há quem diga que suas músicas possuem um sentimento muito telúrico, muito ligado à terra e às raízes nordestinas. Você concorda?


ISMAEL DUMANGUE: Concordo. Acho que não conseguiria fugir disso, porque faz parte de quem sou. Os engenhos, as ruas de Mipibu, as igrejas, as paisagens humanas do interior… tudo isso habita minha memória afetiva. Mesmo quando a música fala de sentimentos universais, existe sempre esse chão nordestino sustentando a composição. É algo natural.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Você é frequentemente apontado como um artista que nunca cede aos modismos. Em tempos de músicas produzidas rapidamente para consumo imediato, como você enxerga isso?


ISMAEL DUMANGUE: Eu respeito todos os estilos e todas as formas de fazer música, mas nunca consegui criar pensando em tendência ou mercado. Minha preocupação sempre foi fazer algo verdadeiro. Acho que a arte precisa ter permanência. Não gosto da ideia de música descartável. Gosto de compor algo que continue fazendo sentido daqui a muitos anos. Talvez isso torne o caminho mais difícil, mas também mais honesto comigo mesmo.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Sua música parece buscar mais do que entretenimento. Existe uma intenção consciente de provocar reflexão?


ISMAEL DUMANGUE: Sim. A música pode emocionar, provocar lembranças, despertar reflexões. Não penso na canção apenas como distração. Gosto quando uma letra toca alguém profundamente, quando desperta memória ou sentimento. Acho que a arte tem essa capacidade de permanecer dentro das pessoas.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: O álbum Terra de Engenhos é considerado por muitos uma homenagem afetiva à sua cidade natal. Qual o significado desse trabalho para você?


ISMAEL DUMANGUE: É um trabalho muito especial porque reúne exatamente esse universo afetivo que me acompanha desde menino. Falar de São José de Mipibu é falar das minhas origens, das pessoas que fizeram parte da minha história, das paisagens que me formaram emocionalmente. Foi uma maneira de transformar memória em música.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: E como você vê a cena musical potiguar atualmente?


ISMAEL DUMANGUE: Vejo muitos artistas talentosos produzindo coisas interessantes. O Rio Grande do Norte sempre teve uma riqueza cultural enorme. O problema, muitas vezes, é a falta de espaço e incentivo. Mas existe uma geração muito boa surgindo, fazendo música autoral, valorizando identidade cultural. Isso é importante.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Além da carreira artística, você também participa de projetos culturais e educacionais. Qual a importância desse trabalho?


ISMAEL DUMANGUE: Acho fundamental. A cultura precisa circular, alcançar os jovens, formar novos ouvintes e novos artistas. Quando participo de festivais estudantis ou projetos culturais, sinto que estou contribuindo para manter viva essa corrente da música e da poesia. A arte transforma pessoas.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Depois de tantos anos de trajetória, o que ainda move Ismael Dumangue?


ISMAEL DUMANGUE: A emoção de criar. Enquanto eu tiver algo para dizer através da música, continuo compondo. A arte ainda me emociona profundamente. E talvez seja justamente isso que mantém tudo vivo: a capacidade de transformar experiências humanas em canção.


BLOG TRAMPOLIM PARA A VITÓRIA: Para encerrar: como você gostaria que sua obra fosse lembrada no futuro?


ISMAEL DUMANGUE: Gostaria que fosse lembrada como uma obra sincera. Uma música feita com verdade, respeito à poesia e amor pela cultura nordestina. Se minhas canções conseguirem permanecer na memória afetiva das pessoas, já me sinto realizado.

UM POUCO DE HISTÓRIA NA CHEGADA DA FESTA DA PADROEIRA DE PARNAMIRIM...


Às vésperas das festividades de Nossa Senhora de Fátima, celebradas anualmente em 13 de maio, a cidade de Parnamirim revive páginas importantes de sua formação religiosa e histórica, profundamente ligadas ao surgimento da fé católica organizada no município e à construção da antiga igreja matriz, símbolo da devoção do povo parnamirinense.

Muito antes da criação oficial da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, ocorrida em 1º de abril de 1952, a então Vila de Parnamirim já demonstrava crescente necessidade de assistência espiritual. O rápido desenvolvimento populacional provocado pela expansão do Campo de Parnamirim e pela presença militar transformava a pequena povoação em um dos núcleos urbanos mais promissores do Rio Grande do Norte. Nesse contexto, surgiu o desejo coletivo de erguer uma igreja que pudesse acolher os católicos da região.

No ano de 1946, o bispo diocesano Dom Marcolino Dantas tomou uma importante iniciativa ao constituir uma comissão encarregada da construção da futura igreja matriz da vila. Inicialmente, o projeto estava ligado à futura freguesia do Senhor do Bonfim, que seria criada na próspera localidade de Parnamirim.

A comissão responsável pela obra era formada por figuras representativas da sociedade local. Assumiu a presidência Josafá Machado, tendo como vice-presidente Manoel de Oliveira Bulhões. O professor Homero de Oliveira Dantas ocupou a função de secretário, enquanto Severino Pedro Nunes tornou-se tesoureiro. Também integravam a comissão o suboficial Luiz Gonzaga de Andrade, Manoel André da Silva, José Pedro da Silva, Luiz Joaquim Barreto, Severino Peregrino Celestino Potiguar, Manoel da Costa Fialho e Francisco Fernandes Pimenta.

A primeira grande reunião da comissão aconteceu em 20 de agosto de 1946, no salão do Grupo Escolar de Parnamirim, reunindo numerosas famílias da vila, que acompanhavam com entusiasmo o nascimento daquele importante projeto religioso. Durante o encontro, discursaram o presidente da comissão, além de Luiz Gonzaga de Andrade, Severino Pedro Nunes e o construtor Malaquias Soares, responsável por apresentar a planta da futura matriz.

O projeto arquitetônico já havia sido analisado e aprovado tanto pelo bispo Dom Marcolino Dantas quanto pela Diretoria de Obras da Prefeitura de Natal. A apresentação da planta foi recebida sob intensos aplausos dos presentes, refletindo a expectativa da população em torno da construção do templo religioso.

Na ocasião, os nomes de Dom Marcolino Dantas e do então prefeito de Natal, Sylvio Pedroza, foram calorosamente aclamados pelos participantes. A reunião também marcou o início oficial da campanha financeira para a construção da igreja, contando com contribuições espontâneas de moradores da comunidade.

Entre os primeiros colaboradores estavam Severino Peregrino da Silva e Genésio Domingos de Oliveira, ambos doando Cr$ 200,00. José Sales e Abílio Paulino da Costa contribuíram com Cr$ 100,00 cada. José Januário de Carvalho e Manoel Camilo Filho ofereceram Cr$ 50,00. José Alexandino participou com Cr$ 25,00, enquanto Antônio Leite Filho, Antônio Pessoa de Carvalho, Julio Bernardo de França e Francisco G. da Costa doaram Cr$ 20,00 cada. Antônio Augusto de Oliveira e Aríete Alexandrino da Silva contribuíram com Cr$ 5,00. Já Maria Alves de Souza realizou doações que totalizaram Cr$ 25,00.

Além dessas quantias, o tesoureiro Severino Pedro Nunes entregou à comissão o valor de Cr$ 1.037,00, importância que já se encontrava arrecadada anteriormente, fazendo com que a soma disponível para o início das obras alcançasse Cr$ 1.827,00 — valor expressivo para a época e que simbolizava o esforço coletivo da população na concretização do sonho da matriz própria.

Paralelamente ao crescimento religioso, Parnamirim vivia também discussões sobre sua autonomia política. Em 1947, uma emenda apresentada pelo monsenhor João da Mata Paiva propunha elevar a vila à condição de município, desligando-a administrativamente de Natal. Apesar das justificativas apresentadas, a proposta acabou rejeitada pela maioria dos deputados estaduais, sob a alegação de que Parnamirim ainda não possuía arrecadação e movimentação econômica suficientes para justificar sua emancipação.

Mesmo assim, a vila continuava crescendo rapidamente. Naquele mesmo ano de 1947, Parnamirim já possuía duas seções eleitorais funcionando no Grupo Escolar Presidente Roosevelt. A 28ª seção contava com 325 eleitores inscritos, enquanto a 29ª registrava 324 votantes, totalizando 649 eleitores — número significativo para uma comunidade ainda em formação.

O crescimento da população tornava cada vez mais urgente a presença permanente da Igreja Católica na localidade. Até então, muitos moradores dependiam da assistência religiosa prestada pela Capelania da Base Aérea de Natal ou da visita ocasional de sacerdotes vindos de outras cidades.

Sensível às necessidades espirituais dos fiéis, Dom Marcolino Dantas aproveitou um encontro com o então ministro da Aeronáutica, brigadeiro Trompowsky, durante uma solenidade do Torneio Aéreo da 2ª Zona, realizada em Natal, para solicitar apoio à construção de uma capela em Parnamirim.

O bispo destacou a importância de oferecer assistência religiosa contínua aos numerosos católicos da vila, especialmente diante do acelerado crescimento populacional e da necessidade de fortalecimento da vida espiritual da comunidade. Segundo registros da época, Dom Marcolino argumentava que a população não podia permanecer dependente apenas da capelania militar, sendo indispensável a existência de uma igreja onde os moradores pudessem participar das missas dominicais, dias santos e demais atos religiosos.

Diante das justificativas apresentadas pelo bispo, o ministro comprometeu-se a colaborar para que Parnamirim tivesse sua própria capela, prevendo-se que, futuramente, ela se transformaria em igreja matriz com a criação oficial da paróquia — algo que efetivamente ocorreria poucos anos depois, acompanhando a marcha progressista da então histórica vila.

Décadas mais tarde, aquela antiga aspiração coletiva consolidar-se-ia como uma das maiores referências religiosas da Grande Natal: a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, símbolo da fé, da memória e da identidade espiritual do povo parnamirinense.

BREVE PASSEIO NA HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA DE PARNAMIRIM/RN...



No próximo dia 13 de maio, Parnamirim volta a viver um dos momentos mais significativos de sua história religiosa e cultural: as festividades de Nossa Senhora de Fátima, padroeira do município e símbolo da fé de milhares de devotos que, geração após geração, mantêm viva uma tradição profundamente ligada à formação espiritual da cidade.

A devoção a Nossa Senhora de Fátima nasceu em Portugal, no ano de 1917, quando ocorreram as célebres aparições marianas na localidade de Cova da Iria, presenciadas pelos pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta. Em poucas décadas, a devoção espalhou-se pelo mundo católico, chegando também ao Brasil e encontrando forte acolhimento em terras potiguares, especialmente em Parnamirim, cidade que crescia impulsionada pela movimentação da Base Aérea e pela expansão urbana ocorrida ao longo do século XX.

A imagem da Virgem de Fátima na visão dos Pastorinhos - O Catequista

Naquele período, Parnamirim ainda era um núcleo em formação, ligado inicialmente ao município de Nísia Floresta, São José de Mipibu e posteriormente povoado de Natal. As primeiras manifestações católicas organizadas no território que viria a se tornar o município, originalmente vinham por intermédio de engenhos vizinhos, que tinham capelas, a exemplo da Taborda, justamente na baixada, hoje divisa do município. A profusão do catolicismo ocorreu nas décadas de 1930 e 1940, período em que a região passou a receber intenso fluxo populacional em razão da implantação do campo de aviação e, posteriormente, da Base Aérea durante a Segunda Guerra Mundial.

Primeiro templo católico de Parnamirim (permanece com outra função, anexo à atual Matriz)

O crescimento populacional provocado pela presença militar e pela importância estratégica do antigo Campo de Parnamirim, sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial, fez surgir a necessidade de uma organização religiosa mais estruturada para atender os moradores da região.


A criação da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima ocorreu oficialmente em 1º de abril de 1952, durante o episcopado de Dom Marcolino Dantas, então arcebispo de Natal. A instalação da nova paróquia representou um marco histórico para o município, que consolidava não apenas seu crescimento urbano, mas também sua identidade religiosa.

Monsenhor João Correia de Aquino (in memorian)

O primeiro vigário da recém-criada paróquia foi o padre João Correia de Aquino, considerado o primeiro padre de Parnamirim. Sua atuação tornou-se fundamental na organização da vida católica local, especialmente em um período em que a cidade ainda possuía infraestrutura modesta e poucas instituições estruturadas. Padre João Correia de Aquino exerceu importante papel pastoral junto às famílias, trabalhadores e militares que habitavam a região, fortalecendo a fé católica e incentivando a formação das primeiras comunidades religiosas organizadas do município.

Inicialmente, as celebrações religiosas aconteciam em espaços simples e improvisados, acompanhando o desenvolvimento gradual da cidade. Com o passar dos anos, a necessidade de um templo maior levou à consolidação da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, construída na região central de Parnamirim e transformada em um dos principais símbolos religiosos do município.

A igreja tornou-se ponto de convergência da fé popular, especialmente durante as festividades do mês de maio, quando as ruas da cidade passam a receber procissões, novenas, caminhadas penitenciais e manifestações religiosas que reúnem milhares de pessoas. As comemorações da padroeira passaram a integrar não apenas o calendário religioso, mas também a própria memória afetiva da população parnamirinense.

Ao longo das décadas, diversos sacerdotes deram continuidade ao trabalho iniciado pelo padre João Correia de Aquino. Entre eles destacaram-se párocos que contribuíram para a expansão das comunidades, criação de pastorais sociais, movimentos religiosos e construção de capelas em vários bairros da cidade. A paróquia acompanhou o crescimento urbano de Parnamirim e viu surgir novas comunidades católicas em áreas que antes eram praticamente despovoadas.

Padre Murilo Paiva

Entre os sacerdotes que marcaram profundamente a história recente da paróquia está o padre Antônio Murilo de Paiva, conhecido carinhosamente pelos fiéis como padre Murilo. Além de sua destacada atuação pastoral, padre Murilo também tornou-se reconhecido por sua produção literária e intelectual, sendo autor de livros e textos religiosos voltados à espiritualidade, à reflexão cristã e à evangelização. Durante aproximadamente 28 anos à frente da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, tornou-se uma das figuras religiosas mais queridas e respeitadas de Parnamirim, participando intensamente da vida social, espiritual e cultural da cidade.

No ano de 2025, a Arquidiocese de Natal anunciou uma nova etapa na história da paróquia com a nomeação do padre Paulo Henrique da Silva como novo pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima. A nomeação foi oficializada pelo arcebispo metropolitano de Natal, Dom João Santos Cardoso, em março de 2025, sendo recebida com grande expectativa pela comunidade católica parnamirinense.

Posse do Padre Paulo Henrique da Silva

Padre Paulo Henrique da Silva assumiu oficialmente a paróquia sucedendo padre Murilo, dando continuidade ao importante trabalho religioso desenvolvido ao longo de décadas. Sua posse marcou um momento histórico para os fiéis, especialmente por representar a renovação pastoral de uma das mais tradicionais paróquias da Arquidiocese de Natal. Conhecido por sua dedicação sacerdotal, proximidade com as comunidades e atuação evangelizadora, padre Paulo Henrique passou a conduzir os trabalhos pastorais, litúrgicos e sociais da igreja em um período de fortalecimento das atividades religiosas no município.

Durante os anos 1960 e 1970, a festa de Nossa Senhora de Fátima consolidou-se definitivamente como uma das maiores manifestações religiosas do município. As procissões passaram a reunir multidões, enquanto famílias inteiras decoravam ruas e fachadas de casas em homenagem à padroeira. Era comum a realização de quermesses, leilões, apresentações culturais e encontros comunitários ligados às festividades religiosas.

A própria imagem de Nossa Senhora de Fátima tornou-se elemento profundamente presente no cotidiano da cidade. Em muitos lares, repartições públicas e estabelecimentos comerciais, a imagem da santa passou a ocupar lugar de destaque, simbolizando proteção, esperança e fé. Ao longo do tempo, tornou-se tradição a peregrinação da imagem pelas comunidades e instituições locais durante o mês mariano.

A ligação entre Nossa Senhora de Fátima e Parnamirim ultrapassa o aspecto estritamente religioso. A padroeira acompanha simbolicamente o desenvolvimento histórico do município, desde os tempos da antiga vila ligada à aviação militar até a consolidação de Parnamirim como uma das mais importantes cidades do Rio Grande do Norte.

Vila Militar da Aeronáutica, cujas construções tiveram início em 1942 (Hoje estão todas descaracterizadas por falta de um simples olhar).

Atualmente, a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima permanece como uma das mais tradicionais da Arquidiocese de Natal, desenvolvendo intenso trabalho pastoral, social e evangelizador. Além das celebrações litúrgicas, a igreja mantém ações voltadas para assistência social, catequese, juventude e apoio às famílias em situação de vulnerabilidade.

À medida que o 13 de maio se aproxima, Parnamirim mais uma vez renova sua devoção àquela que há mais de sete décadas é considerada mãe espiritual do município. Entre sinos, velas, cânticos e procissões, a cidade revive sua história e reafirma a fé em Nossa Senhora de Fátima, cuja presença permanece profundamente entrelaçada à memória, à cultura e à identidade do povo parnamirinense.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MARIZ, Marlene da Silva; SUASSUNA, Luiz Eduardo Brandão. História do Rio Grande do Norte. Natal: Sebo Vermelho, 2005.

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OLIVEIRA, Francisco Isaac D. de. “Desbravando o planalto: de uma pista para aviões nasce Parnamirim”. Revista Galo, ano 1, n. 1, 2020.

ARAÚJO, Glaucia Dias Costa de. Debaixo da sombra do Trampolim da Vitória: história local, ensino e memória histórica em Parnamirim-RN. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2020.

GUIMARÃES, Karla. Parnamirim: a história local como ferramenta didática para o ensino fundamental II. Universidade de Pernambuco, 2022.

SILVA, Alda Nunes Freire da. Parnamirim: História de uma Cidade. Monografia apresentada à Universidade Potiguar, 2006.

PINTO, Lenine. Natal, USA. Natal: RN Econômico, 1995.

SMITH JR., Clyde. Trampolim para a Vitória. Natal: UFRN, 1993.



 DOM CARDOSO: UM APARTE...

Sempre entendi que devemos valorizar o artista local em todas as áreas. Contudo, em um país no qual, infelizmente, a arte é tratada como luxo e até mesmo como algo supérfluo - salvas as exceções - não é estranho que o próprio povo desconheça algumas de suas pratas da casa. Sabendo disso, urge que todos nós, os que escrevemos, os que educamos, os que promovemos cultura, encontremos alternativas inteligentes para dar visibilidade aos nossos músicos, artistas plásticos, teatrólogos, bailarinos, enfim, a todos os que dedicam a vida à arte, principalmente ao público infantil e adolescente, que desconhece quase por completo a arte norte-rio-grandense.

Um caminho possível é a escola de educação infantil e de ensino fundamental, bem como as escolas de música regionais, sejam da UFRN, sejam particulares, municipais ou estaduais. Se cada professor trabalhar os nomes dos artistas locais, eles se tornarão conhecidos. Basta selecionar três obras de cada um e torná-las presentes no universo dos alunos: utilizá-las no pátio, na gincana, na sala de aula, em um festival musical, em uma galeria, no palco da escola, no auditório da cidade, enfim, onde for possível.

O gosto nasce do conhecimento. Se o aluno aprende que existe determinado artista e conhece, por exemplo, três de suas partituras ou músicas, três de suas peças teatrais ou três de suas pinturas, o interesse será despertado e o cenário começará a mudar. O passo seguinte é convidar esses artistas para uma apresentação na escola, ocasião em que eles ficarão felizes ao ver os alunos interagindo com sua arte. E essa interação acontecerá porque houve aproximação: aprenderam a gostar do artista, e sua arte lhes tornou-se familiar. Essa é a única receita para tornar o artistas respeitado, pois ser respeitado, é ser reconhecido.


QUANDO DIMINUIR A MULHER IRANIANA É PROJETO JORNALÍSTICO...


Há décadas jornalistas do mundo inteiro – inclusive do Brasil – denigrem o Irã, e no bojo dessa difamação, expõem a mulher iraniana de maneira totalmente equivocada. As mídias as mostram como silenciadas, oprimidas e confinadas a papéis rigidamente definidos. Essa narrativa é tão difundida que acaba adquirindo aparência de verdade incontestável. No entanto, quando pegamos a realidade do Irã e confrontamos com a difamação mostrada, por exemplo, nas na TV Globo, na Record e mídia afora - salvas raras exceções -, nos convencemos de que há uma intenção clara de depreciar esse país incrível. Isso é fruto do lobby de Israel e EUA. Particularmente acredito que há jornalistas quem nem sabem disso e jornalistas que sabem e alimentam ainda mais o equívoco.

Os Estados Unidos da América são os grandes especialistas em denegrir todos os países onde há riquezas de seu interesse e encontra dificuldade de acesso, portanto é comum transformar os presidentes desses países em demônios, dessa forma manipula a opinião pública, instigando ódio ao Irã, assim como à Palestina e a outros países. Ao longo do século XX e início do XXI, os Estados Unidos estiveram envolvidos, de forma direta ou indireta, em diversos episódios de intervenção política e militar ao redor do mundo, como nos casos do Chile, com a queda de Salvador Allende em 1973, do Congo, com o assassinato de Patrice Lumumba em 1961, e do Irã, onde Mohammad Mossadegh foi deposto em 1953; além disso, houve tentativas reiteradas de eliminar Fidel Castro em Cuba durante a Guerra Fria, enquanto, em contextos de guerra ou intervenção militar, líderes como Muammar Gaddafi na Líbia, Saddam Hussein no Iraque e Osama bin Laden no Afeganistão acabaram mortos em decorrência direta ou indireta dessas ações; somam-se ainda episódios como o golpe no Vietnã do Sul que resultou na morte de Ngo Dinh Diem e a captura de Manuel Noriega no Panamá, e segue com o mesmo modus operandi.

O Irã é uma das mais antigas civilizações contínuas do planeta, com mais de cinco mil anos de história, berço de uma tradição intelectual que produziu nomes fundamentais para a filosofia, a matemática, a medicina, a literatura, a arquitetura etc. Reduzir esse patrimônio a estereótipos contemporâneos pautados de preconceitos - para atender interesses dos Estados Unidos da América - denegrindo por denegrir, repetindo difamações como papagaio - é não apenas um erro jornalístico, mas um gesto de picuinha, de jornalista que não evoluiu. É um empobrecimento deliberado do debate.

Com relação à mulher, no campo da educação, por exemplo, os números surpreendem, mas, curiosamente, são silenciados por grande parte dos jornalistas. Nas últimas décadas, o Irã assistiu a uma verdadeira transformação no acesso feminino ao ensino superior. Mulheres passaram a representar mais da metade dos estudantes universitários em diversas fases recentes, com forte presença em cursos de engenharia, ciências exatas e medicina. No irã, num breve exemplo, há mulheres que atuam em áreas avançadas da engenharia e da indústria de defesa, o que inclui participação em projetos ligados à tecnologia de mísseis, foguetes. Não se trata apenas de acesso, mas de permanência e produção. Em contraste, países considerados mais “liberais”, como o Brasil, ainda enfrentam desigualdades significativas na distribuição de mulheres em áreas como física, tecnologia e engenharia pesada, onde a presença feminina continua aquém do desejável. Mas isso os jornalistas - principalmente da Globo - não mostram.

O Irã possui um número expressivo de professoras universitárias, pesquisadoras e cientistas atuando em centros de excelência. Mulheres iranianas participam de projetos de alta complexidade, inclusive em setores estratégicos como a engenharia nuclear, a nanotecnologia e o desenvolvimento industrial. EM TERMOS PROPORCIONAIS, O PAÍS FIGURA ENTRE AQUELES COM MAIOR PRESENÇA FEMININA NAS ÁREAS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA, ENGENHARIA E MATEMÁTICA NO ORIENTE MÉDIO, SUPERANDO INCLUSIVE ALGUMAS NAÇÕES EUROPEIAS EM DETERMINADOS INDICADORES ESPECÍFICOS. Isso a “Grobo” também não mostra!

Outro dado que desafia a ausência de divulgação das mídias diz respeito à formação de profissionais altamente qualificadas. O número de médicas no Irã cresceu de forma consistente nas últimas décadas, sendo hoje uma presença comum e consolidada no sistema de saúde. O mesmo ocorre com engenheiras, cientistas e pesquisadoras, que ocupam espaços relevantes em universidades e centros de pesquisa. Em contraste, mesmo em países ocidentais, ainda se debate a dificuldade de inserção feminina em determinadas áreas técnicas, o que revela que o problema da desigualdade de gênero não é monopólio de uma única cultura ou sistema político. Vem a calhar a misoginia que vimos - inclusive no Brasil - quando Bolsonaro subestimou inúmeras cientistas brasileiras durante a epidemia do Corona vírus. E esse indivíduo fez escola. Há muitas reproduções dele na política brasileira.

No campo político, mulheres ocupam cadeiras no legislativo, participam de conselhos municipais e exercem funções administrativas e técnicas no aparelho estatal. Em comparação, o Brasil ainda enfrenta desafios históricos de sub-representação feminina na política, com índices que permanecem abaixo de diversas democracias consolidadas.

Ignorar a realidade no Irã é um desserviço para o jornalismo real. A cobertura midiática internacional frequentemente opta por destacar apenas um dos lados, produzindo uma narrativa que atende mais a interesses geopolíticos do que ao compromisso com a verdade. O irã é um país complexo, mas como todo país, possui sua cultura, sua forma de administração, suas religiões etc. É um país de múltiplas qualidades. A inteligência humana, as belezas arquitetônicas e naturais extasiantes, seu potencial educacional, enfim, um país que muitos não querem divulgar por acreditar na mentira espalhada pelos EUA e por Israel.

Muitos jornalistas, conscientes ou inconscientemente, acabam por reproduzir uma visão que enfatiza o atraso, a opressão e o conflito, relegando ao silêncio os dados que apontam para educação, qualificação e protagonismo. Tal prática, longe de esclarecer, obscurece. É preciso recordar que o Irã é também uma nação de intelectuais. Sua tradição filosófica, herdada da antiga Pérsia e renovada ao longo dos séculos, continua viva nas universidades, nos círculos acadêmicos e na produção cultural contemporânea. A mulher iraniana está inserida nesse universo: ela lê, pesquisa, escreve, ensina e participa da construção do pensamento de seu tempo. Negar essa dimensão é negar-lhe humanidade plena.

O mundo contemporâneo exige análises menos passionais e mais responsáveis. Nem demonização, nem idealização. O Irã deve ser compreendido em sua totalidade: como uma sociedade complexa, marcada por tensões, mas também por conquistas inegáveis. E dentro dessa sociedade, a mulher iraniana é também agente de transformações.

Talvez o maior desafio esteja em abandonar a comodidade dos estereótipos. Porque, enquanto a narrativa simplificada persiste, perde-se de vista aquilo que realmente importa: a capacidade de um povo - homens e mulheres - de construir, ao longo do tempo, caminhos próprios, nem sempre coincidentes com as expectativas externas, mas nem por isso menos legítimos. E é justamente nesse ponto que se impõe um gesto de honestidade intelectual: reconhecer que, por trás do véu, real ou simbólico, existe não o silêncio, mas uma multiplicidade de vozes que insistem, com firmeza, em serem ouvidas, e ao longo do tempo conquistaram inúmeros espaços, assim como no Brasil.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA LITERATURA... CAMÕES E MACHADO CHORAM...

Dom Quixote é difícil? Como ler sem se perder (ou desistir)

Imagine você abrindo Grande Sertão: Veredas e viajando em suas páginas, tropeçando em seus neologismos, encantando-se com sua linguagem poética de João Guimarães Rosa... Imagine você desabotoando os olhos e percorrendo as letras saídas de A Hora da Estrela, A Paixão segundo G.H., Laços de Família, de Clarice Lispector... Imagine-se lendo Coração Disparado, de Adélia Prado; aliás, ouvi-la, pois lê-la é tão mágico quanto ouvi-la, e ouvi-la é lê-la como quem flutua. Imagine a capacidade cirúrgica de Edgar Allan Poe de nos botar medo e envolver-nos num suspense, a ponto de suas palavras serem as próprias pulsações... Imagine os cenários desprezados, invisíveis, sob folhas secas e podres, que, sob os grafites de Manoel de Barros, se transformam em fina poética... sua palavra inventada, sua prosa poética acometida de invencionática... Imagine a palavra que, de tão deliciosa, sai das páginas de Tatiana Belinky como um delicioso medovik... Imagine o quanto Crime e Castigo se torna um castigo, de tanto nos prender, nos segurar: “Não me solte!”...

Agora imagine você lendo um autor ou autora que chorou lágrimas de sangue para produzir um clássico que que viverá eternamente grudado na humanidade, que seus hexanetos o estarão lendo... que o futuro infinito o estará lendo...

Manoel de Barros declarou que “escrever sangra”. Ele quis dizer que é delicioso escrever, mas sangra, pois é trabalho minucioso, pesado, medido, pincelado, aparado, rasgado, jogado no lixo, recuperado, editado, e, nesse mister, o cérebro sua, cansa, e o medo de ser condenado, incompreendido e crucificado orbita... Isso é sangrar, pois também é sofrível... Um sofrível que nos possui como possessão,, pois não conseguimos livramento.

Escrever leva tempo, conhecimento, pesquisa, formação, leitura, estudo, desafios, noites de sono, entraves... A obra para, estaciona, fica esquecida, é retomada, é relida, é aparada, mexida, remexida e publicada. Um livro saído do cérebro de um escritor é um filho que até mesmo o pai sentiu a gestação, pois o viu nascer, engatinhar, andar e ser convidado a estar sob os olhos das crianças e dos adultos. É o filho que ouviu nossos puxões de orelha e sentiu a nossa palavra de aprovação.

Todo livro carrega histórias de bastidores inimagináveis. O computador que pifou. O texto que sumiu. O reencontro, a reescrita. As anotações dos insights madrugadores. A visita ao local de inspiração. O carro que quebrou. A xícara de café que virou sobre as anotações. O copo de água gelada que caiu nos teclados... O dinheiro que faltou na hora de pagar a xerox (pois livro tem que ser lido e corrigido a grafite, no papel)...

A escrita verdadeira, assim como a pintura verdadeira, como a música verdadeira, precisa ser reconhecida pelo leitor: “isso é de fulano”... “isso é de siclano”. Igual ver uma tela de van Gogh, Doryan Gray...  É como RG.

Escrever é feito de todas as sensações. Uma simples poesia, uma prosa poética, pode ter uma história de meses ou até anos, pois é inconcebível a obra que não perpassou pelas veias, pelo coração, pelos neurônios... é inconcebível a escrita que não veio dos dedentros humanos... que não foi julgada pela nossa coragem, pelo nosso medo, que não perpassou por nossa sentença... que não foi lida por um amigo íntimo antes de perpassar pelas bobinas das máquinas...

Eu acredito no homem, na palavra que não brotou em segundos, gerada por condicionamento maquinal, oriunda dos submundos da inverdade e da frieza, mas que foi gerada como uma jaca, embu, graviola, melancia, macaxeira... a palavra que foi gerada como filho, que perpassou por dor, suor, lágrimas, alegria, êxtase, paz, felicidade plena...  A palavra que tem impressão digital...

ISMAEL DUMANGUE: “A MÚSICA QUE FAÇO NASCE DA MEMÓRIA E DO SENTIMENTO”

Cantor, compositor, poeta e cordelista, Ismael Dumangue é um dos nomes mais autênticos da música autoral potiguar. Natural de São José de Mi...