Na fotografia que inspira este texto estão alguns brasileiros que trabalharam na Base Aérea de Natal durante a Segunda Guerra Mundial. Da esquerda para a direita: Sra. Olinda, Zacarias Souza, Geraldo Nascimento, Washington Ferreira, José Epifânio (Jota Epifânio), Nair Góes, Rodolfo Lima, Cunha e Rui Marinho. Rostos que representam uma geração de trabalhadores parnamirinenses e natalenses que, em meio a um conflito de dimensões globais, ajudaram a sustentar um dos mais importantes pontos estratégicos do Atlântico Sul.
Na década de 1940, com a instalação da base norte-americana em Parnamirim, então distrito de Natal, a região tornou-se elo fundamental na chamada “rota da vitória”, que ligava as Américas à África e à Europa. A posição geográfica privilegiada do Rio Grande do Norte transformou Natal em centro logístico internacional. Milhares de aeronaves passaram por Parnamirim Field, consolidando a cidade como ponto estratégico decisivo para os Aliados.
Entretanto, por trás das pistas e dos hangares estavam trabalhadores brasileiros - vindos predominantemente do interior do Rio Grande do Norte e do vizinho estado da Paraíbas -, que garantiam o funcionamento da Base. Eram homens e mulheres em funções administrativas, operacionais e de apoio, cuja dedicação silenciosa ajudou não apenas no esforço de guerra, mas também no desenvolvimento urbano, econômico e social da região. O impacto foi profundo: infraestrutura, empregos e circulação de pessoas aceleraram o crescimento do antigo distrito, contribuindo diretamente para o surgimento e fortalecimento do município de Parnamirim.
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| Jota Epifânio |
Sua escrita ajudou a documentar uma época, preservando memórias da sociedade local em transformação. Jota Epifânio não foi apenas testemunha do crescimento de Natal e Parnamirim, ele também foi narrador desse processo, deixando registros que hoje servem como fonte para pesquisadores e interessados na história cultural do Rio Grande do Norte. Jota Epifânio faleceu no dia 31 de dezembro de 1999, aos 72 anos.
Até o momento, o maior volume de informações levantadas refere-se justamente a Jota Epifânio, razão pela qual sua trajetória recebe maior destaque neste texto. Sobre os demais fotografados, ainda estamos reunindo dados que permitam reconstruir com mais precisão suas histórias pessoais e profissionais. Cada nova informação representa um passo importante para completar este registro histórico.
Esta publicação tem também um propósito claro: estou buscando identificar e confirmar dados sobre as pessoas retratadas, para que o álbum histórico fique completo. Resgatar nomes, funções e trajetórias é uma forma de reconhecimento. É devolver visibilidade àqueles que contribuíram, com trabalho e dedicação, para um momento decisivo da história regional e mundial.
Ao contemplarmos esta imagem, vemos mais do que funcionários de uma base militar em tempos de guerra. Vemos cidadãos comuns que participaram de um capítulo extraordinário. Trabalhadores que ajudaram a moldar o destino de Parnamirim e que, mesmo sem saber, inscreveram seus nomes no livro da História.L.C.F. Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte - IHGRN.



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