CARTA DE APELO ÀS AUTORIDADES COMPETENTES DE PARNAMIRIM, NATAL E INSTITUIÇÕES CULTURAIS E DE PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Assunto: Urgente proteção do casarão de Amélia Duarte Machado e Manoel Machado – defesa da memória histórica de Parnamirim e Natal
O presente documento tem como primeira finalidade chamar a atenção para o risco iminente de demolição do casarão histórico que pertenceu a Amélia Duarte Machado, esposa de Manoel Machado, e a necessidade de adoção de medidas urgentes. Inicialmente – diante da eminente construção de um Conjunto Residencial por parte da empresa que adquiriu a fazenda –, é imprescindível, tomar-se conhecimento dos fatos junto aos atuais proprietários, intervindo e impedindo a possibilidade de demolição, para, em seguida, deliberar e executar as medidas cabíveis por parte das autoridades competentes e de pessoas e instituições interessadas na preservação desse patrimônio.
Amélia Duarte Machado e Manoel Machado são figuras centrais na história de Parnamirim. Eram deles as terras que deram origem ao campo de pouso na década de 1920 (Hoje Base Aérea) e, posteriormente, toda a onde se construiu o município de Parnamirim. O imóvel está situado na Fazenda Pitimbu, exatamente na divisa de ambos os municípios, às margens do Rio Pitimbu. É uma propriedade rural ampla, sem informações claras sobre a salvaguarda do casarão que, no momento, está intacto. Diante disso, expresso urgentemente o pedido de união de esforços para – urgentemente e como prioridade - impedir sua possível demolição para, em seguida, deliberar projetos para restauração e transformação do imóvel em um espaço de uso público.
Justificativa histórica
Na verdade, a família Machado é parte fundamental da memória de Parnamirim e Natal, tendo em vista que Manoel Machado, um dos homens mais ricos do Rio Grande do Norte nas décadas de 10 a 30, foi responsável por dar a Natal uma característica de progresso, tendo em vista que sua empresa vendia de tudo, inclusive artigos importados e do mais alto luxo.
Amélia Machado, pioneira como empresária no Rio Grande do Norte, exerceu papel exemplar como mulher de negócios junto à Base Aérea de Natal em uma época desafiadora para o sexo feminino, gesto que inspira e deve ser preservado.
O casarão conecta duas narrativas urbanas: Natal e Parnamirim, refletindo a relação histórica entre os municípios e o papel histórico da família Duarte.
No casarão da Fazenda Pitimbu ainda resistem alguns móveis de época que pertenceram ao casal Machado, como escrivaninha, mesa e cama (as imagens podem ser vistas nos links abaixo). Estive no local em 2013 e em 2024, e tais peças permanecem no local. Existe uma fotografia clássica de Amélia Machado sentada ao lado dessa escrivaninha, hoje esquecida no interior do casarão. Esses artefatos agregam valor museológico, documental e afetivo à memória dessa família tão importante e que muito colaborou com os municípios de Parnamirim e Natal.
É necessário, no momento, que as instituições e autoridades competentes provoquem a articulação entre MINISTÉRIO PÚBLICO, UFRN, IHGRN, IPHAN, PREFEITURAS DE PARNAMIRIM E NATAL, IFRN’s, FJA, CONSELHO ESTADUAL DE ARQUITETURA E A PRÓPRIA EMPRESA QUE ADQUIRIU O CASARÃO DE AMÉLIA MACHADO, BEM COMO INSTITUIÇÕES AFINS, VISANDO impedir a possível demolição do casarão, já que mesmo tendo procurado, desconheço até o momento o nome da empresa que adquiriu a fazenda.
Como o conjunto residencial ainda não foi construído, torna-se fácil um planejamento urbanístico que não traga prejuízo para o casarão nem para o projeto da empresa que o construirá. É fundamental desenvolver em seguida um plano de restauração que o torne espaço de uso comum e de memória, preservando o patrimônio como bem público.
O imóvel pode ter o caráter de Memorial, dedicado ao casal Manoel e Amélia Machado, reconhecendo seu papel histórico em ambos os municípios, ou Museu Municipal de Parnamirim, tendo em vista que o acervo do Centro Cultural (que funciona no antigo aeroporto Augusto Severo) aborda a Segunda Guerra Mundial e a presença norte-americana na região, portanto, em transformando o casarão no Museu Municipal de Parnamirim, seria berço da história dos pioneiros que nesse município se instalaram na década de 40, vindos de diversas cidades potiguares e estados vizinhos (suas histórias, seus saberes, suas tradições e afins, expondo material museológico doado pelas tantas famílias de pioneiros locais).
O casarão de Amélia Machado é uma das mais antigas construções de Parnamirim – com a sorte de estar praticamente intacto – e representa não apenas um bem arquitetônico, mas um elo entre as comunidades de Natal e Parnamirim, fortalecendo a identidade regional e o turismo cultural.
A defesa desse casarão não é apenas uma questão de conservar uma construção antiga, mas de honrar uma trajetória de doação, empreendedorismo e compromisso com a história. Que nos unamos para impedir sua possível demolição e propor um caminho de restauração, memória e uso público que beneficie as populações de Natal, Parnamirim e região. Coloco-me à disposição para colaborar nesse projeto.
Parnamirim, 14 de agosto de 2025
Com respeito e urgência,
Luís Carlos Freire - Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte - IHGRN
Telefone (Whatsapp): 84 99903 6081
ABAIXO: LINKS SOBRE O CASÃO E A PERSONAGEM AMÉLIA DUARTE MACHADO
Link sobre o casarão na Fazenda Pitimbu:
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE: CASARÃO DE AMÉLIA MACHADO - UM MUSEU INVISÍVEL
Link sobre a história de Amélia Machado, conhecida como “Viúva Machado”.
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE: Viúva Machado, uma mulher desconsagrada
Link sobre o pioneirismo de Amélia Duarte Machado:
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE: A DESCONSTRUÇÃO DO SILENCIAMENTO: AMÉLIA DUARTE MACHADO...Links outros sobre Amélia Machado:
NISIAFLORESTAPORLUISCARLOSFREIRE: As mangueiras da viúva Machado...
OUTRO:
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