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| Fonte: Pessoa Arrogante a Pensar Que é O Rei Do Mundo Ilustração do Vetor - Ilustração de lado, saliência: 42205843 |
Recordo-me, há uns dez anos, de ter lido Mentes Perigosas, da autora Ana Beatriz Barbosa Silva, e me vi profundamente impactado. A obra ampliou minha compreensão sobre a complexidade de vários tipos humanos, do psicopata, ao sociopata dos soberbos aos prepotentes e narcisistas. E abriu meus olhos para aspectos que antes me escapavam. Foi como se um novo campo de visão se descortinasse, permitindo-me perceber com mais clareza aquilo que, muitas vezes, se oculta sob máscaras de aparente normalidade.
Como exemplo, para ser mais claro, imagine uma criatura que consegue arrastar para si desajustes de personalidade como soberba e prepotência, juntas e misturadas. Embevecida de vaidade e narcisismo, julga-se autossuficiente e costuma menosprezar os conhecimentos alheios, tentando sobrepujar aquilo que acredita ser o correto, o melhor, o mais adequado. Age como se sua opinião fosse incontestável. Dirige-se ao outro falando por cima do ombro, num gesto típico de quem supõe que o outro é inferior. Pode não ser, mas evidencia traços de um sociopata ou psicopata.
Pessoa assim torna-se antipatizada nos mais diversos ambientes onde circula: no trabalho, no bairro, na igreja, no clube, o que evidencia não se tratar de mera má impressão dos outros, mas de um comportamento recorrente e profundamente enraizado. Fica, então, a dúvida: essa pessoa percebe ou finge não perceber o efeito que causa, alimentando a repugnância alheia?
A situação se agrava quando esse padrão se reproduz no seio familiar, especialmente quando filhos absorvem e espelham parte ou os mesmos traços, tornando-se alvo de comentários discretos nos encontros sociais. E o quadro se torna ainda mais contraditório e repugnante quando a pessoa pratica alguma religião, discursando sobre o Evangelho enquanto suas atitudes negam, de forma evidente, os princípios que proclama. Os ensinamentos de Jesus estão alicerçados na humildade, na mansidão, no respeito, na acolhida e no amor ao próximo, valores que não encontram eco em comportamentos dominados pela soberba e prepotência.
Há, portanto, uma incoerência que salta aos olhos: falar de fé sem vivê-la é esvaziar seu sentido mais essencial. A arrogância, nesse contexto, não é apenas um traço de personalidade, mas um obstáculo espiritual, uma barreira que impede o verdadeiro encontro com os ensinamentos que se diz seguir.
Por vezes, a vida nos coloca diante de pessoas assim, exigindo de nós cautela e discernimento para lidar com pessoas que, não raramente, apresentam uma duplicidade inquietante: uma aparência socialmente aceitável e um comportamento íntimo marcado pela manipulação, pela insensibilidade e pela ausência de empatia. Valendo-se, inclusive, do discurso religioso, podem ultrapassar limites e causar danos ao próximo sem demonstrar remorso.
No fim, a verdadeira fidelidade aos ensinamentos de Jesus não se mede por palavras, mas por atitudes. E é na prática cotidiana da humildade, da escuta sincera e do respeito ao outro que se constrói uma vida coerente, distante da arrogância e da soberba, e mais próxima do que, de fato, significa ser humano. Cristo, com toda certeza, reprovaria de pronto tais criaturas... Na verdade, não é um ego inflado, é um vazio que grita por valor, pois tudo mais é aparência, é tipo, é teatro...

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