ROSTOS DA HISTÓRIA: TRABALHADORES DA BASE AÉREA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL...

 

Na fotografia que inspira este texto estão alguns brasileiros que trabalharam na Base Aérea de Natal durante a Segunda Guerra Mundial. Da esquerda para a direita: Sra. Olinda, Zacarias Souza, Geraldo Nascimento, Washington Ferreira, José Epifânio (Jota Epifânio), Nair Góes, Rodolfo Lima, Cunha e Rui Marinho. Rostos que representam uma geração de trabalhadores parnamirinenses e natalenses que, em meio a um conflito de dimensões globais, ajudaram a sustentar um dos mais importantes pontos estratégicos do Atlântico Sul.

Na década de 1940, com a instalação da base norte-americana em Parnamirim, então distrito de Natal, a região tornou-se elo fundamental na chamada “rota da vitória”, que ligava as Américas à África e à Europa. A posição geográfica privilegiada do Rio Grande do Norte transformou Natal em centro logístico internacional. Milhares de aeronaves passaram por Parnamirim Field, consolidando a cidade como ponto estratégico decisivo para os Aliados.

Entretanto, por trás das pistas e dos hangares estavam trabalhadores brasileiros - vindos predominantemente do interior do Rio Grande do Norte e do vizinho estado da Paraíbas -, que garantiam o funcionamento da Base. Eram homens e mulheres em funções administrativas, operacionais e de apoio, cuja dedicação silenciosa ajudou não apenas no esforço de guerra, mas também no desenvolvimento urbano, econômico e social da região. O impacto foi profundo: infraestrutura, empregos e circulação de pessoas aceleraram o crescimento do antigo distrito, contribuindo diretamente para o surgimento e fortalecimento do município de Parnamirim.

Jota Epifânio

Entre os nomes retratados, destaca-se José Epifânio, conhecido como Jota Epifânio, vindo de Nova Cruz, nascido no dia 23 de setembro de 1927. Após sua atuação na Base Aérea de Natal, construiu trajetória marcante como colunista social em Natal. Até meados dos anos 1970, esteve lotado no Comando da Base - CATRE, como Relações Públicas, função estratégica na comunicação institucional. Paralelamente, tornou-se um dos nomes conhecidos da crônica social potiguar, assinando coluna no jornal Tribuna do Norte, onde registrava eventos, personagens e acontecimentos da vida social natalense.

Sua escrita ajudou a documentar uma época, preservando memórias da sociedade local em transformação. Jota Epifânio não foi apenas testemunha do crescimento de Natal e Parnamirim, ele também foi narrador desse processo, deixando registros que hoje servem como fonte para pesquisadores e interessados na história cultural do Rio Grande do Norte. Jota Epifânio faleceu no dia 31 de dezembro de 1999, aos 72 anos.

Até o momento, o maior volume de informações levantadas refere-se justamente a Jota Epifânio, razão pela qual sua trajetória recebe maior destaque neste texto. Sobre os demais fotografados, ainda estamos reunindo dados que permitam reconstruir com mais precisão suas histórias pessoais e profissionais. Cada nova informação representa um passo importante para completar este registro histórico.

Esta publicação tem também um propósito claro: estou buscando identificar e confirmar dados sobre as pessoas retratadas, para que o álbum histórico fique completo. Resgatar nomes, funções e trajetórias é uma forma de reconhecimento. É devolver visibilidade àqueles que contribuíram, com trabalho e dedicação, para um momento decisivo da história regional e mundial.

Ao contemplarmos esta imagem, vemos mais do que funcionários de uma base militar em tempos de guerra. Vemos cidadãos comuns que participaram de um capítulo extraordinário. Trabalhadores que ajudaram a moldar o destino de Parnamirim e que, mesmo sem saber, inscreveram seus nomes no livro da História.L.C.F. Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte - IHGRN.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

ROSTOS DA HISTÓRIA: TRABALHADORES DA BASE AÉREA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL...

  Na fotografia que inspira este texto estão alguns brasileiros que trabalharam na Base Aérea de Natal durante a Segunda Guerra Mundial. Da ...