DOM CARDOSO: UM APARTE...

Sempre entendi que devemos valorizar o artista local em todas as áreas. Contudo, em um país no qual, infelizmente, a arte é tratada como luxo e até mesmo como algo supérfluo - salvas as exceções - não é estranho que o próprio povo desconheça algumas de suas pratas da casa. Sabendo disso, urge que todos nós, os que escrevemos, os que educamos, os que promovemos cultura, encontremos alternativas inteligentes para dar visibilidade aos nossos músicos, artistas plásticos, teatrólogos, bailarinos, enfim, a todos os que dedicam a vida à arte, principalmente ao público infantil e adolescente, que desconhece quase por completo a arte norte-rio-grandense.

Um caminho possível é a escola de educação infantil e de ensino fundamental, bem como as escolas de música regionais, sejam da UFRN, sejam particulares, municipais ou estaduais. Se cada professor trabalhar os nomes dos artistas locais, eles se tornarão conhecidos. Basta selecionar três obras de cada um e torná-las presentes no universo dos alunos: utilizá-las no pátio, na gincana, na sala de aula, em um festival musical, em uma galeria, no palco da escola, no auditório da cidade, enfim, onde for possível.

O gosto nasce do conhecimento. Se o aluno aprende que existe determinado artista e conhece, por exemplo, três de suas partituras ou músicas, três de suas peças teatrais ou três de suas pinturas, o interesse será despertado e o cenário começará a mudar. O passo seguinte é convidar esses artistas para uma apresentação na escola, ocasião em que eles ficarão felizes ao ver os alunos interagindo com sua arte. E essa interação acontecerá porque houve aproximação: aprenderam a gostar do artista, e sua arte lhes tornou-se familiar. Essa é a única receita para tornar o artistas respeitado, pois ser respeitado, é ser reconhecido.


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