MORRE SEVERINO VICENTE: UM MONUMENTO DO RIO GRANDE DO NORTE...

 


Hoje foi um dia muito difícil para todos, tendo em vista a perda irreparável do amigo pessoal e folclorista, professor Severino Vicente. No livro de assinaturas da Casa de Velórios São José escrevi apenas: "Quem continuará?". Foi o que veio na mente naquele momento de profunda consternação. 

Sei que não se engessa a cultura popular, a qual é muito dinâmica e mutante, mas penso nesses grandes monumentos que estão indo embora. Tanto os estudiosos do Folclore quanto os mestres e brincantes. Professor Severino Vicente foi um baluarte na salvaguarda do folclore do Rio Grande do Norte.

Não acreditei quando vi aquele monumento num caixão. Quanta sabedoria viraria cinza! Uma biblioteca foi sepultada hoje. É certo que Severino não é gigante apenas por isso, afinal foi excelente amigo, querido por todos, excelente pai, esposo e avô. Um homem de caráter. Pessoa admirável. Sua filha fez uma linda homenagem.

Estive na Casa de Velório e Cremação São José, onde houve a celebração da missa de encomendação seguida de uma homenagem feita por um grupo folclórico, cujos atores dançaram lhe reverenciaram junto ao ataúde.  Logo após se deu a cemimônia de cremação. 

Homenagem Póstuma a Severino Vicente (1948–2026)

Com imensa tristeza, a cultura popular potiguar e brasileira despede-se do professor, historiador, escritor e folclorista Severino Vicente, que faleceu no dia 11 de fevereiro de 2026, aos 77 anos, após uma longa batalha contra o câncer. Sua partida representa uma perda profunda e irreparável para o estudo, a preservação e a valorização do folclore no Rio Grande do Norte e em todo o país.

Nascido em 1948, Severino Vicente dedicou sua vida à pesquisa, à difusão e à defesa das tradições populares nordestinas. Embora os registros públicos não detalhem amplamente sua data e local exatos de nascimento, sua trajetória intelectual e cultural confunde-se com a própria história da valorização do folclore potiguar nas últimas décadas.

Homem de vasta erudição e sensibilidade, exerceu papel de grande relevância institucional ao presidir a Comissão Nacional de Folclore, instância fundamental na articulação dos estudos e das políticas voltadas às manifestações culturais populares em âmbito nacional. Também esteve à frente da Comissão Norte-Rio-Grandense de Folclore, entidade histórica dedicada à salvaguarda, pesquisa e promoção do folclore potiguar. Nessas funções, consolidou-se como o maior estudioso do Folclore do Rio Grande do Norte, referência incontornável para pesquisadores, mestres da cultura popular e instituições culturais.

Autor de três livros dedicados ao estudo das tradições populares, Severino investigou com profundidade as raízes históricas, simbólicas e sociais das manifestações culturais nordestinas. Sua obra abordou, inclusive, as influências europeias reinterpretadas no contexto regional, revelando como o povo potiguar recriou e ressignificou heranças culturais ao longo dos séculos. Para ele, o folclore nunca foi mero espetáculo: era memória viva, identidade coletiva e patrimônio imaterial que precisava ser compreendido, respeitado e transmitido.

Severino Vicente deixa sua esposa, Zeneide, além de filhos, netos e bisnetos, que hoje guardam não apenas a saudade, mas o orgulho de sua trajetória exemplar. À família, unem-se incontáveis amigos, colegas e discípulos que encontraram nele um mestre generoso, sempre disposto a compartilhar saberes e incentivar novas pesquisas.

Sua morte provoca um prejuízo incalculável à Cultura Popular do Rio Grande do Norte. Perdemos um guardião da memória, um intelectual comprometido com as raízes do povo, um articulador incansável de políticas culturais e um defensor firme das tradições populares. Em um tempo em que a preservação do patrimônio imaterial exige vigilância e dedicação, a ausência de Severino deixa uma lacuna difícil de preencher.

Permita-me acrescentar, neste momento de despedida, meu pesar pessoal. Foram mais de 30 anos de amizade, convivência e admiração. Compartilhamos inúmeros eventos folclóricos pelo Rio Grande do Norte, seminários, encontros, debates, festivais e celebrações da cultura popular. Caminhamos lado a lado na defesa das tradições potiguares, aprendendo e ensinando juntos. Sua presença era sempre marcada pela firmeza intelectual, pela elegância no trato e pelo amor incondicional ao folclore.

Hoje, despeço-me não apenas de um grande pesquisador, mas de um amigo leal e inspirador. Seu legado permanecerá vivo nas páginas que escreveu, nas instituições que fortaleceu e, sobretudo, nas manifestações culturais que ajudou a preservar. Severino Vicente parte, mas sua obra e seu exemplo continuam iluminando o caminho daqueles que acreditam que a cultura popular é a alma de um povo.







































































































































































































































































































































































DOM CARDOSO E SEUS METAIS: UMA TRAJETÓRIA QUE SE CONFUNDE COM A HISTÓRIA MUSICAL DO RIO GRANDE DO NORTE...

 

Patrimônio vivo da música potiguar, o artista Don Cardoso constitui uma das figuras mais emblemáticas da cena musical do Rio Grande do Norte. Sua trajetória ultrapassa o simples exercício profissional da música e transforma-se em verdadeiro testemunho histórico da cultura popular, dos bailes tradicionais, das grandes orquestras e da evolução da música de entretenimento no estado. Referência para diversas gerações de músicos norte-rio-grandenses, Don Cardoso tornou-se, ao longo das décadas, uma fonte permanente de aprendizado, inspiração artística e dedicação à arte musical.

Definir Don Cardoso é definir a própria permanência da música como linguagem de resistência cultural, alegria coletiva e memória afetiva. Sua história se confunde com os salões de baile, os clubes sociais, os grandes eventos populares, os réveillons, os carnavais e as celebrações que marcaram diferentes épocas da vida cultural potiguar. Trata-se de um artista cuja existência está profundamente vinculada à construção da identidade musical do Rio Grande do Norte.

Com décadas dedicadas à arte, Don Cardoso representa a permanência de uma tradição musical que resiste ao tempo, às mudanças tecnológicas e às transformações culturais contemporâneas. Seu trabalho preserva a essência das grandes orquestras de baile, valorizando o repertório dançante, os arranjos sofisticados, a riqueza instrumental e a interação direta com o público. Em um cenário cada vez mais dominado pela música eletrônica, pelas produções automatizadas e pela substituição de músicos por recursos digitais, Don Cardoso & Seus Metais permanece reafirmando a força da música executada ao vivo, da interpretação coletiva e da emoção produzida pela sonoridade orgânica dos instrumentos.

A trajetória de Don Cardoso & Seus Metais consolidou-se como uma das mais respeitadas formações musicais do cenário potiguar. A orquestra construiu uma identidade própria marcada pela excelência técnica, pela diversidade rítmica e pela capacidade de dialogar com públicos de diferentes gerações. Mais do que uma banda, Don Cardoso & Seus Metais tornou-se uma verdadeira instituição cultural, presença constante em importantes eventos públicos e privados do Rio Grande do Norte.

Inspirado pela máxima “O QUE SERIA DO MUNDO SEM A MÚSICA”, o grupo desenvolve um trabalho artístico fundamentado na valorização da música como instrumento de cultura, convivência social, memória afetiva e democratização do acesso à arte. Em suas apresentações, percebe-se não apenas a execução musical, mas também um compromisso permanente com a preservação da tradição dos grandes bailes e da música ao vivo de qualidade.

O som de Don Cardoso & Seus Metais guarda influências claras das antigas big bands e das tradicionais orquestras de baile brasileiras que dominaram os clubes sociais entre as décadas de 1950, 1960, 1970 e 1980. Sua estrutura musical dialoga com formações clássicas que fizeram história na música brasileira, especialmente aquelas inspiradas nas grandes orquestras de gafieira, nas bandas de metais norte-americanas e nos conjuntos dançantes que animavam festas populares em todo o país.


Há, em sua musicalidade, ecos das grandes orquestras nacionais que marcaram época, como as formações lideradas por maestros históricos da música brasileira, além da influência de conjuntos instrumentais que valorizavam a sofisticação harmônica, os arranjos elaborados e a força expressiva dos metais. A presença marcante de saxofones, trompetes e trombones confere ao grupo uma sonoridade vibrante, elegante e profundamente dançante.

Ao mesmo tempo, Don Cardoso & Seus Metais preserva características muito próprias da cultura nordestina e potiguar. Em seu repertório convivem boleros, sambas-canção, frevos, forrós, sambas, músicas românticas, clássicos da Música Popular Brasileira, sucessos internacionais, além de composições contemporâneas adaptadas à linguagem das grandes orquestras. Essa mistura cria uma identidade musical singular, capaz de unir tradição e modernidade.

A versatilidade da orquestra permite que suas apresentações dialoguem com públicos extremamente diversos. Em um mesmo evento, é possível perceber pessoas de diferentes gerações compartilhando experiências afetivas através da música. Os mais velhos reencontram memórias dos antigos bailes e das noites dançantes dos clubes sociais; os mais jovens descobrem a potência estética da música instrumental executada ao vivo e o impacto emocional da riqueza sonora proporcionada pelo naipe de metais.

A formação artística da orquestra reúne aproximadamente doze músicos, incluindo cantores, cantora, naipe de metais, base harmônica e percussiva, formando um conjunto de elevada qualidade técnica e sonora. O grupo destaca-se pela riqueza dos arranjos, pelo profissionalismo de seus integrantes e pela disciplina artística construída ao longo de muitos anos de atuação.

Ao longo de sua extensa trajetória, Don Cardoso & Seus Metais participou de importantes eventos culturais e comemorativos promovidos em Natal e em diversas cidades do Rio Grande do Norte. Réveillons, carnavais, bailes dançantes, programações natalinas, festas institucionais, festividades municipais e grandes encontros populares fazem parte da história da orquestra. Sua presença tornou-se praticamente obrigatória em celebrações que valorizam a música de qualidade e a tradição dos bailes populares.

Diversas apresentações promovidas por órgãos públicos reforçam o reconhecimento institucional da importância cultural do grupo. A orquestra tornou-se presença constante em programações culturais relevantes da cidade do Natal, participando de eventos públicos de grande alcance popular e integrando festividades tradicionais promovidas pelo poder público municipal e estadual.

O reconhecimento popular acompanha o reconhecimento institucional. Ao longo dos anos, Don Cardoso & Seus Metais consolidou-se como uma das mais tradicionais e respeitadas orquestras de baile do Rio Grande do Norte, mantendo-se ativa e relevante mesmo diante das profundas transformações ocorridas no mercado musical contemporâneo.

Outro aspecto fundamental da trajetória de Don Cardoso & Seus Metais é a preservação da cultura dos antigos bailes dançantes, prática que marcou profundamente a vida social e cultural do Rio Grande do Norte ao longo do século XX. Durante décadas, os bailes realizados em clubes sociais constituíram espaços fundamentais de convivência, elegância, sociabilidade e produção cultural. Nesses ambientes, a música desempenhava papel central, reunindo famílias, casais, jovens e diferentes segmentos da sociedade em torno da dança e do entretenimento coletivo.

Com o passar do tempo, muitos desses clubes desapareceram ou perderam sua força cultural. Entretanto, Don Cardoso & Seus Metais permaneceu como guardião dessa memória afetiva, mantendo viva a tradição das grandes orquestras e dos bailes populares. Em suas apresentações, revive-se não apenas um estilo musical, mas toda uma atmosfera cultural marcada pela elegância dos salões, pela dança de casal, pelo encontro social e pela valorização do músico profissional.

Os bailes animados pela orquestra tornaram-se espaços de reencontro geracional, preservando costumes, formas de sociabilidade e referências culturais profundamente ligadas à história potiguar. Em suas apresentações coexistem tradição e contemporaneidade, permitindo que diferentes gerações compartilhem a mesma experiência musical.

Don Cardoso representa, portanto, muito mais do que um músico ou maestro. Sua figura simboliza uma geração inteira de artistas que ajudaram a construir a sonoridade das noites natalenses, dos clubes sociais, dos carnavais tradicionais e das festas populares do Rio Grande do Norte. Sua história integra o patrimônio imaterial da música potiguar.

Ao observar a trajetória de Don Cardoso, percebe-se também a semelhança com muitos dos grandes músicos populares brasileiros que fizeram da música não apenas profissão, mas missão existencial. Como tantos mestres da música popular, Don Cardoso pertence à linhagem daqueles artistas cuja vida foi inteiramente moldada pelos palcos, pelos ensaios, pelas viagens, pelos instrumentos e pelo compromisso diário com a arte de emocionar pessoas.

Existe, em sua caminhada, algo semelhante à figura dos antigos maestros e líderes de orquestras que se tornaram referências culturais em suas regiões: homens profundamente dedicados ao coletivo musical, à formação de novos músicos e à preservação da qualidade artística. Seu trabalho ultrapassa a dimensão individual e alcança um significado cultural mais amplo, contribuindo para a continuidade da memória musical do Rio Grande do Norte.

Em um tempo marcado pela instantaneidade digital e pelo consumo rápido da música, Don Cardoso & Seus Metais preserva valores fundamentais da experiência musical coletiva: a execução instrumental ao vivo, a sofisticação dos metais, o diálogo entre músicos experientes, a dança de salão, a elegância dos bailes e o contato humano proporcionado pela música presencial.

Sua trajetória demonstra que a música continua sendo um poderoso instrumento de integração humana, memória cultural e identidade coletiva. Em cada apresentação da orquestra existe não apenas entretenimento, mas também resistência cultural, preservação histórica e valorização do patrimônio musical potiguar.

Com reconhecimento do público, credibilidade junto aos produtores culturais e respeito conquistado ao longo de décadas de atuação, Don Cardoso & Seus Metais mantém-se como uma das formações musicais mais importantes da cena cultural norte-rio-grandense, contribuindo diretamente para a valorização da música profissional, da memória cultural e do fortalecimento das políticas culturais voltadas à preservação da arte musical no Rio Grande do Norte.

OBS. Os dados abaixo estão incompletos porque repassei um questionário sobre o início da sua vida, para desevovre sua biografia, mas ele nunca me respostou apesar de reiterados pedidos.

Dom Cardoso é o nome artístico de ......................................................................., nascido no dia ......... de ........................ de ............, em .................................................. Filho de ..................................................................... e ...................................................................... . Dizem que talento é dom, missão e vocação. Seja como for, Don Cardoso sentiu o chamado da música ainda muito jovem, quando residia em .................................................., no Rio Grande do Norte. Desde então, sua vida passou a ser conduzida pelos sons, pelos instrumentos, pelos palcos e pelo compromisso permanente com a arte de emocionar pessoas através da música.







Ana Cláudia Trigueiro: A Voz Potiguar que Resplandece no Panteão da Literatura Nordestina...

 


Você já ouviu falar na escritora Ana Cláudia Trigueiro? A literatura potiguar contemporânea encontra nela uma de suas vozes mais densas, sensíveis e artisticamente consistentes. Sua escrita, marcada por refinamento estético e vigor emocional, revela uma autora que domina a palavra com naturalidade e precisão raras. Há, em seus textos, uma tessitura poética que não se limita ao lirismo, mas que mergulha na condição humana com lucidez, coragem e elegância.

Ana Cláudia Trigueiro escreve com a maturidade de quem compreende o tempo, a memória e as nuances da alma nordestina. Seu diferencial reside na capacidade de unir erudição e sensibilidade, tradição e contemporaneidade, fazendo com que cada frase carregue densidade sem perder fluidez. A autora não apenas narra: ela constrói atmosferas, esculpe sentimentos e convoca o leitor a um exercício de introspecção e descoberta.

No cenário literário do Nordeste brasileiro, sua produção desponta com brilho próprio, inscrevendo-se, por mérito estético e força expressiva, no panteão dos grandes escritores da região. Em sua obra, percebe-se a marca da escritora por excelência: aquela que transforma experiência em arte, linguagem em transcendência e palavra em permanência.

"Sou uma natalense de 50 anos e resido em Parnamirim há 30. Contista, cronista e romancista, comecei escrevendo histórias infantis, que lia para meus filhos antes de dormirem.
Além de escrever, participo ativamente da formação de jovens leitores indo a escolas e participando de eventos voltados à promoção da leitura. Muito do que se lê vem dos grandes centros urbanos localizados na região sul e sudeste, na Europa e na América do Norte, por isso, tornei-me ativista em favor da nossa literatura e desde 2017 percorro as instituições de ensino do estado e dos municípios do RN para falar sobre o tema.

Tenho doze livros publicados e adotados, bem como obras em muitas bibliotecas públicas e escolares da rede de ensino do RN. Contribuo ativamente com projetos de promoção de acesso ao livro , como o “Parnamirim, um Rio que flui para o mar de Leitura”, ligado à Secretaria Municipal de Educação e sediado na Biblioteca Municipal de Parnamirim.

A maioria dos meus livros retrata histórias e lugares da nossa terra porque passei parte da infância e da adolescência longe do Rio Grande do Norte e desejei muito voltar. Então, o RN é o paraíso que esteve perdido e que, ao ser recuperado, produziu o amor expresso em cada história imaginada.

Nas minhas obras trago como personagens principais as mulheres nordestinas do passado e do presente, do campo e da cidade, principalmente aquelas que lutam pela sobrevivência ou contra situações adversas como a violência doméstica, o machismo e o preconceito racial.

Quando escrevo, geralmente penso em adolescentes e adultos jovens, por isso quase todo o meu trabalho é voltado para eles. Meu último projeto foi um convite da Timbú Editora: uma série sobre ecologia e mistério para adolescentes. Os dois primeiros livros já foram publicados. Os personagens são representativos da nossa sociedade: um menino autista, uma menina indígena, uma menina nordestina, uma paulista e um menino negro. Eles são os Guardiões da Terra e defenderão o planeta de crimes ambientais.

A formação em Psicologia se reflete nas minhas obras, pois costumo descrever e refletir sobre o mundo interior das personagens, suas emoções, contradições e as percepções da realidade em que vivem. Mas, caminho mesmo pela via da ficção, pois a literatura veio muito antes.

Finalizo afirmando que a Literatura tem uma importância cultural, afetiva, educacional, política e social nas vidas dos leitores. Ela forma cidadãos conscientes, comprometidos, sensíveis e capazes de transformar o mundo. Ela também é terapêutica na medida em que traz situações semelhantes às vividas por quem lê, levando-os a encontrarem consolo e respostas aos problemas existenciais. Isso tem um valor ainda maior nas vidas dos adolescentes".

"A escrita aconteceu na minha vida por causa da leitura. Sou, antes de tudo, uma leitora aficionada. Acredito que seja assim com a maioria dos escritores. Meus pais me incentivavam e se esforçavam para que eu tivesse livros em casa. Mamãe, Maria José Trigueiro de Lucena (1945-2022) era professora de língua portuguesa e como papai, José Lucena de Araújo (1945...), vendia desde enciclopédias até literatura infantil, sempre tive clássicos, contos de fadas, lendas brasileiras e mitologia grega na nossa estante. Os livros foram os primeiros brinquedos. Depois passei a frequentar bibliotecas públicas e pegar emprestado tudo o que me interessava. Não sei se meus antepassados tinham apreço pelas letras, uma parte deles não tinha acesso a elas. Mas o lado da família que tinha, contou com poetas, compositores e professores. Meu avô, José Trigueiro Filho (1903-1980) fazia parte da banda de música da polícia Militar, assim como seu primo, Abdon Álvares Trigueiro..."

CASO EPSTEIN, UM FILME REAL DE TERROR...


Como dizem por aí “meu filho, tu vai ver coisa... tu vai ver coisa”. É mais ou menos isso que penso quando leio sobre o horroroso caso Epstein. Ele já partiu para a “terra do pés juntos” no próprio presídio, em 2019, supostamente assassinado. Soa bastante como uma queima de arquivo, e não é difícil supor quem foram os mandantes...

No final de 2025, o comitê liberou milhares de e-mails contendo os horrores praticados por bilionários, principalmente norte-americanos, e que, por sê-los, sentem-se à prova da lei. Os documentos incluem e-mails de 2011 a 2019, mensagens de texto de 2018-2019 (como as trocas com Steve Bannon) e registros que mencionam celebridades, como o ex-príncipe Andrew, Elon Musk e outros, com detalhes descritos como sórdidos sobre o esquema de exploração sexual, pedofilia e canibalismo. Atrocidades que, até agora, achávamos que somente Kronos, ou Lúcifer seriam capazes, como, por exemplo, comer bebê despedaçado.

É algo tão assustador, tão imoral e amoral que nos faz pensar, inicialmente, se tratar daquelas teorias da conspiração que vemos aos montes na internet. Mas é real. E praticado por uma elite que, por ter certeza de estar blindada do peso das leis - pelo fator dinheiro e poder -, subestima qualquer coisa. Esses e-mails revelam bilionários despidos de suas máscaras de gente séria, respeitável, religiosa, políticos das “boas causas”, empresários, “homens de bem”, revelando uma legião de demônios de carne e osso, que se deleitavam em festas nababescas, regadas a tudo o que de melhor existe no mundo para se comer e beber.  

E nessas festas, inclusive, valia comprar meninas de 13 anos e estuprá-las. Um desses relatos conta que Trump penetrou o dedo na vagina de uma menina de 13 anos, virgem, para atestar a virgindade, assim como outros “poderosos”. Há relatos de bebês despedaçados, cujos bilionários (demônios na verdade), disputaram as partes mais saborosas, tal qual faziam os indígenas tupinambás, conforme relato do viajante alemão Hans Staden. É um filme de terror real... Incomoda ouvir, incomoda ler...

E quem tem disparado esses e-mails? Por incrível que pareça é o próprio EUA, órgãos oficiais dos Estados Unidos, o Congresso dos EUA (Comitê de Supervisão da Câmara). Parlamentares democratas e republicanos têm divulgado lotes de documentos. Há um interesse político – obviamente - de destruir Trump também -, mas isso não anula o terror dos arquivos Epstein. A diferença é que a oposição tem nas mãos um trunfo grande contra Trump.

O Tribunal do Distrito Sul de Nova York tem ordenado o deslacre e a liberação de lotes de documentos do processo Giuffre v. Maxwell ao longo de 2024 e 2025, que incluem arquivos do espólio de Epstein. Nisso vemos que o Congresso norte-americano é maior que Trump, pois o seu poder não é o bastante para conter o seu passado recente.

Os condenados e responsáveis diretos são: Jeffrey Epstein (financiador bilionário, condenado por crimes sexuais); Ghislaine Maxwell (cúmplice direta; condenada em 2021 por tráfico sexual de menores, uma espécie de cafetona).

São mencionadas, embora sem condenação judicial, figuras como: Donald Trump (citado em documentos, fotos e agendas); Bill Clinton (mencionado por voos no avião de Epstein); Steve Bannon (aparece em trocas de mensagens divulgadas); Alan Dershowitz (advogado; citado em acusações por Giuffre); Príncipe Andrew, (Duque de York, acusado por Giuffre; fez acordo civil milionário sem admitir culpa); Les Wexner (ex-patrão e principal financiador de Epstein); Elon Musk (citado em documentos); Glenn Dubin (investidor; mencionado por testemunhas); Mort Zuckerman (empresário e magnata da mídia); Bill Gates (confirmado encontro com Epstein após condenação de 2008; afirmou arrependimento). HÁ ATÉ UM INDIVÍDUO DAQUI DE NATAL QUE PRESTAVA SERVIÇO DE CAFETÃO PARA EPSTEIN, ENVIANDO JOVENS POTIGUARES PARA ESSES EVENTOS.

Muitos nomes aparecem, inclusive de Bolsonaro, Hilary Clinton e outros, inclusive outros brasileiros e brasileiras. E, a bem da verdade - ideologias políticas à parte -, ter o nome mencionado não significa ter relação com o filme de terror descrito acima. Epstein era um bilionário que se comunicava com o mundo, portanto muitos e-mails não revelam crimes nem atrocidades, mas jogos de poder, oportunismos políticos etc. Se cada pessoa mencionada comesse bebês, fosse pedófilo, estuprasse adolescentes, comprassem pessoas, estaríamos diante de um caos ainda pior.  

Como acusadores e testemunhas centrais aparecem: Virginia Giuffre (principal denunciante); seus depoimentos fundamentam muitos documentos judiciais; Maria Farmer (uma das primeiras vítimas a denunciar Epstein ainda nos anos 1990) e Sarah Ransome (outra denunciante pública). Há até uma brasileira denunciante.

ONTEM À NOITE ESCREVI SOBRE OS ADOLESCENTES QUE MATARAM O CACHORRO ORELHA, CERTOS DE QUE ESTAVAM BLINDADOS PELO DINHEIRO DOS PAIS, POR SEREM ELITE E, NESSE PONTO, AMBAS HISTÓRIAS SE PARECEM, POIS O ESCÂNDALO EPSTEIN NÃO É APENAS SOBRE INDIVÍDUOS, MAS SOBRE:  REDES DE PODER, BLINDAGEM INSTITUCIONAL,  SILÊNCIO COMPRADO, E A DIFICULDADE HISTÓRICA DE RESPONSABILIZAR ELITES, MESMO QUE ELA TENHA PRATICADO ATROCIDADES.

Muitos nomes nunca foram julgados. Alguns nunca serão. Mas o volume de conexões revela algo estrutural, um sistema onde proximidade com o poder funciona como escudo moral e jurídico. ISSO É TÃO ASSUSTADOR COMO MATAR UM VIRA LATAS DE TANTO TORTURÁ-LO COMO COMER BEBÊS DESPEDAÇADOS, COMPRAR ADOLESCENTES PARA ESTUPRAR E PRATICAR PEDOFILIA...

Ah! Já ia me esquecendo... TODOS OS ENVOLVIDOS NO FILME DE TERROR SE DIZEM INOCENTES... rssss

ORELHA PODE SER VOCÊ AMANHÃ...

   

No início, o que chegou até mim foi a notícia seca: um cachorro morto, adolescentes envolvidos, imagens que circulavam. A brutalidade em si já seria suficiente para revoltar qualquer consciência minimamente humana. Mas, à medida que os fatos vêm se desenrolando, algo ainda mais grave começa a emergir: a sensação de que a verdade está sendo cuidadosamente manipulada para não ferir sobrenomes, endereços e padrões de vida, pois as famílias dos adolescentes torturadores e assassinos são da elite de Santa Catarina.

Primeiro vieram as imagens chocantes, depois, os relatos. O porteiro do condomínio, figura central naquele momento inicial, afirmou ter visto, ouvido, presenciado. Suas palavras apontavam para os adolescentes. Havia coerência entre o que ele dizia e o que as câmeras mostravam. Mas então algo mudou. O mesmo porteiro passou a dizer que não viu, que não ouviu, que não deu declarações comprometedoras. Logo ele aparece com “férias compulsórias”.
É nesse ponto que minha indignação aumenta. Porque não estamos falando apenas de um crime contra um animal indefeso, o xodó de todos os que o conheciam. Estamos falando de como o alto padrão social de certas famílias parece interferir, direta ou indiretamente, no curso da justiça e no tratamento dado pela imprensa. Sinto desconfiança até mesmo nos depoimentos das delegadas e do delegado que, me desculpe se o analiso mal, quis se comportar como estrela e usou o cachorrinho caramelo (que é outro episódio horroroso) como capital político-partidário, pois será candidato a deputado estadual.
Basta observar o contraste entre as abordagens midiáticas. O Fantástico, da Rede Globo, tratou o caso com uma cautela quase cirúrgica, escolhendo palavras, evitando confrontos mais diretos, pisando em ovos. Já na TV Record, o tom foi outro: mais incisivo, mais questionador, menos preocupado em preservar imagens e mais interessado em expor contradições. Essa diferença não é mero estilo editorial; ela revela o quanto certos temas ainda são blindados quando tocam a elite. A forma como o assunto é abordado, as palavras pescadas, as entrelinhas, as mensagens sublimares são requisitos que sempre priorizo, pois é onde reside a verdade. Suspeito que as autoridades estão favorecendo a elite catarinense. É POR ISSO QUE DEFENDO A FEDERALIZAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO DO CASO “ORELHA”. Até porque Santa Catarina tem dado espetáculo em coisas escusas.
Há famílias que, por força do dinheiro, do status e de uma educação profundamente distorcida, passam a acreditar que as leis são flexíveis, ou opcionais. Subestimam a Justiça como quem subestima um obstáculo pequeno demais para o próprio sobrenome. Sentem-se acima das normas, acima das consequências, acima da própria finitude. Sentem-se, em última instância, imortais. Isso me lembra os bilionários que entraram no submergível Titã para ver os destroços do Titanic. Convencidos de que dinheiro e arrogância eram suficientes, eles desafiaram o mar e as leis da Física. O oceano, indiferente a contas bancárias, respondeu com a única linguagem que conhece. A realidade, cedo ou tarde, sempre cobra a conta.
O problema é que, diferente do mar, na sociedade, essa cobrança nem sempre acontece. O caso de Orelha escancara um modelo de formação familiar que vem produzindo monstros sociais. Jovens que crescem acreditando estar revestidos de imunidade: à dor alheia, à violência, ao crime. Jovens educados para pensar que o dinheiro dos pais compra advogados, narrativas, silêncios e, se necessário, a própria Justiça. Jovens grosseiros, mal educados, que chutam animais, são indiferentes aos mendigos, aos idosos, aos indígenas, aos pretos, aos pobres e tudo mais. E isso não é novo.
Lembro-me do indígena Galdino, queimado vivo em Brasília enquanto dormia. Juro que chorei, pois esse que vos escreve tem veneração a esses povos que cercaram a sua infância e adolescência no Mato Grosso do Sul. Os assassinos alegaram que “foi uma brincadeira”. Uma brincadeira?! A Justiça foi leniente, o país seguiu em frente, e hoje muitos daqueles envolvidos vivem confortavelmente, empregados, bem remunerados, integrados à mesma elite que sempre se protege. Aquela página aterradora da nossa história foi varrida para debaixo do tapete nacional.

O assassinato de Orelha ecoa esse passado. A mesma lógica. A mesma tentativa de minimizar, confundir, relativizar. A mesma engrenagem que transforma violência em “excesso”, crueldade em “erro”, crime em “mal-entendido”. Tudo fica confuso, desconcatenado, propositalmente turvo. Versões se contradizem. Testemunhas recuam. Declarações desaparecem. A realidade, que parecia tão nítida no início, passa a ser disputada como se fosse apenas uma questão de opinião, mesmo diante de imagens que não mentem.
Isso me revolta. Não é só a morte de um cachorro ou de um ser humano se o fosse. É a morte simbólica da ideia de igualdade perante a lei. É a confirmação dolorosa de que, para alguns, a Justiça ainda tem preço, a verdade ainda é negociável, e a impunidade ainda é herdada junto com o sobrenome.

Nos meus 58 anos, a minha capacidade de indignação segue tão intacta quanto na minha adolescência, pois não sou um monstro. Aqueles monstros praticaram o exercício de matar, e para eles, homens e cachorros são iguais, principalmente se o cachorro for de rua e o homem for pobre. Não podemos esquecer esse episódio bárbaro, assim como não podemos esquecer o caso Galdino e tantos outros, pois quando homens e mulheres de bem recuam, esses criminosos avançam.

Enquanto aceitarmos isso em silêncio, Orelha, Galdino e tantos outros continuarão sendo apenas nomes esquecidos, sacrificados no altar de uma elite que se julga eterna, superior, até que a realidade, como o mar profundo, resolva lembrar que ninguém está acima dela. É isso o que mais espero. E LEMBREM: ORELHA PODE SER VOCÊ, AMANHÃ...

RESULTADO DO CONCURSO INTERNACIONAL DE DESENHOS PROMOVIDO PELO LIONS INTERNACIONAL COM O TEMA "JUNTOS SOMOS UM"...

 

LIONS INTERNACIONAL - CONCURSO INTERNACIONAL DE DESENHOS "JUNTOS SOMOS UM"...

Tendo sido jurado desse importante concurso internacional, divulgo aqui o resultado final em nível de Brasil. A criança vencedora é uma menina do estado do Piauí. A primeira fase da escola dos desenhos deu-se há um mês, no Colégio Santa Teresa de Liseux, onde se escolheu desenhos de todo o Nordeste. Ontem, no SESC - Rio Branco, foram escolhidos desenhos entre todos os participantes em nível de Brasil. O evento é promovido pelo Lions Internacional. Participaram 600 mil crianças de vários países, com idade 8 a 13 anos de idade. Em fevereiro sairá o resultado geral nos Estados Unidos. O evento contou com diversas autoridades civis, militares e eclesiásticas, além da imprensa local. parabenizo a todos os participantes e agradeço aos Lions pela confiança nessa missão de grande responsabilidade...





















EMPATIA E ALTRUÍSMO ENJAULADOS ANTE O ÓDIO SOLTO...

 


O caso traumático do jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, apelidado de “Vaqueirinho de Mangabeira” – que invadiu a área de uma leoa, foi atacado e morto por ela no último domingo – impactou o Brasil. As redes sociais ainda estão sob os efeitos disso. Mas o que me faz escrever é a perplexidade diante dos comentários assustadores que tenho lido nas redes sociais sobre essa fatalidade. Não sei como há tanta gente má no nosso país. Antes, eu pensava que a pandemia da Covid-19 tornaria as pessoas mais humanizadas, mas me enganei. Não sei o que houve, pois, se o demônio é tudo isso que dizem, ele encontrou incontáveis clones no nosso país. Haja gente má.

Esse rapaz era esquizofrênico e tinha deficiência mental. Funcionários públicos que lidavam com ele são unânimes em dizer que ele era uma criança de cinco anos em um corpo de dezenove. A mãe e a avó são esquizofrênicas. Gerson nasceu em um lar de extrema pobreza, vivia entre a rua e o seu barraco, passou muita fome, apanhou muito na rua e em casa.

É certo que, uma semana antes de sua morte, ele havia sido preso duas vezes em menos de uma hora: a primeira por tentar danificar dois caixas eletrônicos de um banco; a segunda, por arremessar um paralelepípedo e quebrar o vidro de uma viatura da polícia. Também há registro de que, em janeiro de 2025, ele danificou o portão de um centro de ressocialização juvenil (um antigo espaço em que esteve internado), o que resultou em intervenção policial. O diretor de uma penitenciária local declarou à imprensa que “Vaqueirinho não conheceu outra vida senão a prisão”, com dez apreensões na adolescência e seis na maioridade - o que soma as “16 passagens”.

Particularmente, acho que todo marginal deve ser julgado e punido na forma da legislação vigente, mas não há como classificar como marginal uma pessoa cuja mente, segundo as próprias autoridades, equivalia à cognição de uma criança de cinco anos. Quem, em sã consciência, atiraria um paralelepípedo em um caixa eletrônico e outro no carro da polícia? Na verdade, Gerson foi aquela criança que nasceu e cresceu ouvindo da mãe e dos parentes as frases típicas desses lares miseráveis, como: “ele é doente”, “ele é doido”, “ele tem problemas mentais”, “ele não sabe nada”, “ele não aprende”, “ele não evolui”, entre outras sentenças afins. Gerson não foi provocado a evoluir cognitivamente; foi provocado a pensar que era burro, que não aprendia, que era doido e tudo mais.

João Pessoa inteira conhecia o “Vaqueirinho de Mangabeira”. Era uma figura popular. Para muitos, era um brinquedo, uma diversão, objeto de chacota. Obviamente, havia meia dúzia de pessoas que, por empatia e altruísmo, o tratavam bem, o alimentavam, conversavam com respeito, davam conselhos e o ajudavam. Mas a maioria o via como os reis viam os bobos da corte: um brinquedo que servia de mangação (como diz o povo nordestino).

Esse rapaz vivia atormentado pelo lar desajustado, pela falta de alimentação adequada e, pior, pelas reações da esquizofrenia. É quase certo que ele foi a esse encontro com a leoa tomado pelas vozes da própria doença. Ele dizia que seu sonho era ir para a Àfrica domar leões.

Uma funcionária pública do Conselho Tutelar - uma das poucas pessoas que eram seu porto seguro - declarou que, desde criança, sua vida foi pautada por desajustes e crises decorrentes da esquizofrenia. Sua realidade era tão conhecida que há vídeos dele na internet, registrados em situações diversas e pitorescas nas ruas de João Pessoa, inclusive quando ainda criança. Todos sabiam da realidade do Vaqueirinho de Mangabeira, mas ele era invisível quando o assunto era tratamento médico, socialização e respeito por parte das pessoas comuns. Agora me recordo de quando Michael Jackson gravou um clipe no Rio de Janeiro e ouviu de uma moradora a frase providencial que roubou a cena: “Michael, eles não ligam pra gente!”. E Michael deixou a frase no clipe. Isso é um clássico. Quem “ligou” para o Vaqueirinho da Mangabeira? NINGUÉM!

Num país em que assistimos a tantos crimes terríveis cometidos por gente do colarinho brando (políticos, pastores, padres, funcionários públicos etc) como chamar de bandido uma criatura cuja mente era igual à de uma criança de cinco anos? O que o Vaqueirinho roubou? NADA! A destruição do patrimônio histórico de Brasília foi menor do que a avaria causada em um carro da polícia e em um caixa eletrônico por um rapaz de mente infantil? E o que dizer quando reconhecemos que os “crimes” desse rapaz se deram por desajustes mentais e jamais por má índole ou instinto criminoso?

O que vejo é falta de empatia e altruísmo. Quase todos preocupados com a leoa, aplaudindo a morte de um ser humano - quase uma criança - como faziam no Coliseu, onde pessoas eram atiradas aos leões enquanto uma multidão se divertia. Se esse jovem estivesse normal, não faria tamanha insanidade. O animal merece cuidado, sim; afinal, nasceu ali, era o seu habitat. Ela o matou por instinto. Estrangulou, não o predou. Mas só se viam execrações por parte de seres humanos cujos feitos não os diferenciam do que sabemos sobre o demônio. Aquele menino poderia ser seu filho, seu irmão, seu parente... e aí? E se fosse? Você aplaudiria?

Qualquer pessoa pode nascer com esquizofrenia ou com deficiência mental. Esse rapaz não teve culpa de nada - nem dos “crimes” que praticou, nem da invasão ao espaço da leoa. Sua morte foi a culminância de uma longa história: um Estado omisso, moroso e burocrático, e uma sociedade má, que zomba dos outros, que não se coloca no lugar dos outros e que não é capaz de - mesmo podendo - ajudar alguém. Essas pessoas são más. São hipócritas. Não têm nada de cristãs, pois um cristão tem compaixão, piedade, respeito e amor ao próximo. A base do cristianismo é EMPATIA e ALTRUÍSMO.

Enfim, para mim, essa fatalidade - por incrível que pareça, quase no Natal - convida os desumanos e insensíveis a sentirem EMPATIA e a agir com ALTRUÍSMO. Olhem ao seu redor. Há muita gente precisando de um pão, um remédio, uma fralda, um saco de carvão; uma orientação, um esclarecimento, uma visita ao abrigo, enfim, daquilo que temos em abundância em nós e nossas casas. Há muita gente precisando de calor humano, amor, respeito, acolhida, diálogo, uma simples conversa... Há pessoas que se sentem bem com um simples “bom dia”.

Perdão, mas, se você se diz cristão e atira pedras num rapaz como o Vaqueirinho, você não está precisando de igreja e tampouco de uma Bíblia. Você está precisando de uma jaula...

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